segunda-feira, 8 de junho de 2020

Se non uccide fortifica (Se não mata, fortifica)

Então como foi isso? Vocês eram vizinhos? - Jade perguntava curiosa, depois que todos sentaram no canto mais reservado do restaurante.

Luan estava perceptivelmente incomodado, constrangido, envergonhado e muito confuso. Cecília percebe a saia justa que o destino havia aprontado e teria que tomar as rédeas da situação. Posicionava os braços delicadamente na mesa e falava como se estivesse cantando uma canção à beira mar, numa quietude e tranquilidade incomum: - Isso já tem muito tempo...- olha sorrindo com os olhos para Jade enquanto Luan continuava a observando incrédulo com sua desenvoltura diante de tudo - ...um outro momento podemos falar sobre isso - sorri para Luan de uma forma natural, sem segundas intenções - agora precisamos focar no trabalho, trouxeram o que solicitei? - assumia agora uma postura totalmente profissional. Enquanto ela aguardava, Jade cutuca Luan, típico movimento para acordá-lo, parecia absorto em um mar de lembranças e confusão.

- Ah, sim! Eu trouxe a planta da casa - tira o papel de uma pasta, ela começa a observar em uma curiosidade profissional enquanto ele falava - e tenho algumas fotos aqui caso queira ver. 

- Acredito que a planta será suficiente, tem como me enviar por e-mail? - tratava diretamente com ele.

- Claro, eu mesmo farei isso. 

Ela concordava e num movimento rápido começam a tratar do seu trabalho: - Bom, o engenheiro fez um bom trabalho com tudo isso, vocês tem bastante espaço, vários cômodos...suponho que já terminaram toda a estrutura? 

- Sim, falta apenas os detalhes que contamos com sua ajuda para isso! - Jade sorria tímida.

- Eu vou precisar contactar alguns profissionais aqui do Brasil, meus fornecedores estão todos na Europa, como devem saber...a menos que queiram algo de lá, podemos dar um jeito - sorria - também precisarei visitar a construção pessoalmente ao longo do percurso.. - é interrompida por Luan.

- Você quer ir lá hoje? - ela faz uma cara de lamentação - Amanhã talvez?

- Não posso Luan, eu realmente tenho pendências em Londrina para esses próximos dias, mas não se preocupe, muito trabalho pode ser agilizado apenas pela planta da residência e também é o tempo necessário para contactar os fornecedores. - falava com uma segurança ímpar - mas para isso preciso saber o essencial, qual o estilo de vocês? - olhava para os dois sempre sorrindo.

- É...eu sou mais modernista, confesso - Jade admitia - mas pesquisando seu trabalho vi que tem uma pegada mais tradicional, o que é a cara do Luan - sorri para ele agora. 

- Então...- ela entendia que a garota queria agradar o seu par - Luan, o que você gosta afinal?

- Eu gosto do simples, do aconchegante e confortável, quero um lugar bonito, chegar em casa e me sentir bem, que tenha traços do que eu curto, música, pantanal, família, calmaria...mas pode ter um toque moderno também - ri admitindo que também curtia o estilo, e isso era evidente pela própria maneira de se vestir, jeans rasgado, camisa solta, cabelo bem maior, seu estilo transitava entre os dois.

- Claro, entendo perfeitamente. - tirava seu Ipad da bolsa- tenho aqui uns trabalhos meus que podem servir de inspiração, e outros diversos que vocês podem selecionar as imagens que mais gostaram, ficará salva automaticamente na pasta de vocês e assim irei traçando umas ideias a partir disso. - entrega o aparelho nas mãos de Luan. 

- Podemos pedir algo para ir comendo enquanto isso? - Jade reclamava, parecia a única com fome ali.

- Por mim tudo bem, enquanto isso vocês podem me dar licença? Preciso ir ao banheiro um instante. - Eles sinalizam que não tem problema, enquanto ela levanta na elegância e calmaria típica das mulheres bem sucedidas do exterior. 

- Luan! O que você tem? Parece que está anestesiado...sei lá! - Jade reclama.

- É o cansaço - mente - e a surpresa também de ser alguém conhecido, foi surreal.

- Mas ela é incrível né? Fiquei muito curiosa para saber mais dela, quem sabe nos tornamos grandes amigas? - Luan gemia por dentro, mas se atentava ao portfólio que ela disponibilizara, realmente era incrível. 

Cecília rapidamente, ao mesmo tempo que a comida chegava. A comida cheirava bem, mas realmente não sentia muita fome, permanecia em silêncio e respondendo apenas algumas dúvidas que os dois clientes a sua frente vez o outra perguntava. Até que seu telefone toca em cima da mesa chamando a atenção de todos, Matteo. 

- Me desculpem, eu deveria ter deixado em silêncio, mas vocês se importam se eu atender rapidamente, é da Itália e...- já havia atendido no primeiro sinal de concórdia de ambos. - Matteo, felice di parlare con te!  - Falava em italiano sem nenhum constrangimento e levantava em seguida se afastando um pouco dos dois.

- O que ela disse? - Luan perguntava.

- Eu só entendi o nome da pessoa que ligou, Matteo... - Jade ria - deve ser o namorado dela - Luan não havia pensado nessa possibilidade, ela era jovem, bonita, tão segura de si, com certeza teria alguém ao seu lado. - incrível o trabalho dela, ela falando italiano, ela é espetacular. - Jade concluía com admiração enquanto Luan apenas acenava e observava ela voltando para a mesa.

- Peço sinceras desculpas, eu realmente esqueci de colocar no silencioso, mas não poderia deixar de atender, precisava dar notícias de minha chegada - sorri.

- Sem problemas! Era seu namorado? - Luan gela com a pergunta de Jade, mas ela parecia não se importar.

Pensa dois segundos para responder, afinal o que Matteo foi para ela? Ou ainda era? Marido? Parceiro? Namorado? Ou apenas um apoio afetivo, o que falaria? - Era uma pessoa especial. - responde por fim, enquanto Luan ficava atordoado com a não afirmativa dela a pergunta de Jade. 

- Bom, acabamos de marcar todas as fotos - Jade entregava o Ipad de volta e observa o prato de Cecília - você mal comeu...

- Ah, desculpa é que foram muitas horas de viagem e o cansaço tiram um pouco a fome. Então irei analisar a escolha de vocês, aguardo a planta via email para poder fazer um projeto piloto e não se preocupem que marcaremos a primeira visita, de acordo com a agenda de vocês, claro. - sabia que Luan continuava na correria de shows. - Luan, preciso do seu contato, irei mandar um questionário para ambos, sobre coisas pessoais que ajudarão no projeto já que estaremos geograficamente distantes no mesmo território, iremos nos contactar pelas vias tecnológicas - lamentava profissionalmente por isso. - Mas darei toda assistência e...

Jade interrompe: - Você pode contar conosco, temos o jatinho não é Luan, e se precisar de hospedagem das vezes que vir, ficará em nossa casa. 

- Obrigada, eu aceito a carona caso coincida algum voo, por exemplo. Mas quanto a estadia - pensa nos pais e irmã de Luan - eu gosto dos hotéis daqui, e me dá mais concentração para o trabalho. - como ela era profissional, pensavam. 

- As vezes que precisar da carona estarei à disposição, mas não posso deixar de perguntar o porque voltou? - Luan pergunta de ímpeto e ela não se surpreende.

- Questões familiares - responde com certa tristeza e ambos notam.

- É algo grave? - Continuava curioso como no passado.

- Sim, minha mãe está com câncer e é grave, deram meses. - o choque e a tristeza no rosto dos dois é notável.

- Nossa, se eu soubesse teria escolhido um tempo melhor para contactar seus serviços. - Jade Lamentava.

- Não, não lamente, trabalhar vai me ajudar muito nesse processo. - era grata no seu tom.

Luan pensava em Sônia, nas poucas vezes que conversaram no passado demonstrava uma docilidade fora do comum, preocupada com os filhos, educada, profissional. - Ela sabe? 

- Da doença? Sim. Que eu estou no Brasil? Não. - ri pela surpresa que faria - acredito que ela achava que eu jamais voltaria por aqui. - admite - mas aqui estou eu. - fala levantando - muito obrigada pela companhia, eu observei que aqui estamos perto de algumas lojas e preciso de roupas, como podem ver. - se olhava como se não estivesse vestida adequada para o novo território que se encontrava. - nos vemos em breve. 

- Janta conosco hoje! - Jade chamava espontânea para surpresa de Cecília e principalmente de Luan. 

- Eu adoraria, mas embarco amanhã cedo e realmente preciso de roupas. Mas ficarei devendo esse convite para uma próxima vez, tudo bem? - alívio da parte de Luan e decepção da de Jade. Dá o giro na mesa e abraça Jade em seguida Luan, o mesmo perfume de antes, ela lembrava bem. - Foi de verdade um prazer e satisfação enormes, darei o meu melhor e espero que gostem. - sorri saindo e deixando o vazio de várias interrogações a seu respeito, em ambos. 












Um comentário:

  1. Meu Deeeus, não acreditei quando vi que você voltou a escrever depois de tanto tempo. Que saudade! Como sempre, sua escrita continua incrível Vanessa. Espero que retorne com o final desta linda história!
    Carol <3

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