Meu Deus o que foi isso? - Pensava enquanto caminhava elegantemente apressada pelo shopping com algumas sacolas na mão rumo a saída, não tinha comprado muito, conhecendo sua mãe suas coisas deveriam ter permanecido do mesmo jeito, inclusive as roupas. Com certeza teria algo para usar nos próximos meses tranquilamente. Lembrava do susto nos olhos negros de Luan ao ouvir seu nome, do seu total desconforto diante dela, e como graças a Deus ela tinha conseguido se manter forte diante de tudo, diante da mulher linda que ele escolheu para viver e que agora ela estava prestes a deixar sua marca na sua futura casa. - Que loucura! Achei que não ia conseguir manter a firmeza, mas consegui - respirava aliviada.
Tomava um táxi e dava o endereço do hotel, permanecendo em seus devaneios olhando pela janela do carro aquela cidade que fervia lá fora. - Destino. - lembrava as palavras que havia ouvido um dia antes na Itália - realmente tem coisas que não dá pra fugir, só não achava que seria tão rápido. Como ele continua incrivelmente bonito? Não pode deixar de observar o físico definido, um Luan num porte mais maduro, as tatuagens no braço, a barba que dava um aspecto de maturidade, o cabelo muito mais comprido desde a última vez que o vira, agora negro com luzes preso num modelo viking que dava um ar extremamente sexy. - E ao lado e uma mulher incrivelmente bonita - suspira, imaginando que Jade deve ter sido aquelas meninas de interior, de família, bem estruturada, tímida e que havia conquistado um sonho de uma grande parcela de mulheres que residiam nesse país. Sonho que ela teve um dia nas mãos...- e que ficou no passado - lembrava do quanto demorou para vestir aquela armadura que lhe custaram oito anos, tão necessários para o mundo esquecer Paloma Fortezza, para ela retornar hoje sem receios de que a haviam esquecido de vez, mas o que ela não sabia era que Luan ainda a lembrava, em segredo, no seu mais íntimo, nunca a havia esquecido. E talvez ela descobrisse daqui a um tempo que também não teria feito isso com sucesso.
- Moça? - o taxista chamava sua atenção. - Chegamos!
- Ah, perdoe minha distração, estava pensando alto - falava tranquila percebendo que sua educação chamava a atenção daquele taxista.
- A moça parece e não parece ser daqui, se veste como a mulher de um príncipe - comenta humildemente.
- Ah - ri compassiva - eu acabei de chegar de fora do país depois de oito anos fora - tira o dinheiro da bolsa e o entrega.
- Muito tempo! Mas quando é o destino da gente voltar né? - ri dando o troco enquanto ela abria a porta. - Que Deus lhe ajude!
- Obrigada, ao senhor também. - E mais uma vez a palavra destino aparecia em seu caminho. Mas não teria tempo para pensar mais, viajaria na madrugada e logo cedo estaria em Londrina, nos braços de quem realmente precisava dela no momento, Sônia e sua família. Por hoje o trabalho esperaria, e se tinha algo que ela havia aprendido era a se desligar facilmente de certas lembranças. Só não contaria que as lembranças agora eram reais, e se tornariam cada vez mais presentes.
No caminho de volta hoje mais cedo...
- Luan, o que houve? Porque você ficou todo desconcertado hoje mais cedo?
- Foi uma surpresa! - admitia - eu não sabia que seria alguém tão conhecida.
- Mas isso é ótimo, porque facilita a relação no trabalho. Só achei ela muito profissional, o que não é ruim - se corrige - mas ela não ter aceitado nosso convite, sendo você um conhecido do passado - Luan permanecia em silêncio, ele sabia que Cecília não era idiota e não aceitaria nunca um pedido desse, Jade percebendo seu silêncio continuava respondendo ela mesma seus questionamentos - bom, teremos oportunidade e mal posso esperar os próximos contatos! Vou tomar um banho e hoje a gente pede comida, pode ser? - ele sorria concordando - não esquece de mandar a planta par ao email dela.
- Vou fazer isso agora. - pegava o celular e enviava o arquivo para o número dela, não pode deixar de ver a sua foto de perfil, cabelos ao vento com uma paisagem linda por trás, o verde contrastava com o loiro dos seus cabelos. Só não esperava que ela respondesse de imediato com um "Obrigada Luan, nos vemos em breve.". - Tão natural sua resposta que só pode enviar um emoji, não saberia o que dizer, não saberia como agir diante de tudo isso que estava para viver, e tinha muito receio em relação a si mesmo, já que ela do contrário dele demonstrava um autocontrole fora do normal. - Droga! - Pensava - lembrava do passado, de quando soube que ela partiria e lembra de não ter se importado, afinal não sabia da armação do irmão dela, mas lembra nitidamente quando alguns meses se passaram e Augusto o procurou, dos fatos que se esclareciam bem a sua frente, queria falar com ela, pedir desculpas, mas ela havia deixado a ordem de não fornecer nenhum contato seu para ela e que o perdoava.
- Augusto, como eu fui idiota! - lamentava desesperado - Por favor, me dá o telefone dela, eu preciso pedir desculpas, eu preciso me redimir...
- Luan - ele falava sério - foi um pedido dela, eu não posso quebrar. O que ela permitiu dizer foi que está na Itália e que te perdoa, que te entende, e que você siga em frente.
- Como posso seguir em frente? Eu não confiei nela o suficiente e agora ela está do outro lado do mundo e não quer falar comigo...
- Luan - sentava ao seu lado - eu conheço a Maria Cecília a bem mais tempo que você e de verdade? Ela precisa desse tempo, Sofreu muito com a rejeição do pai, quando voltou teve aquele trágico acidente onde descobriu toda a verdade da vida dela, filha da empregada, filha de um romance proibido, criada pela esposa do seu pai, traída e de qual recebia todo o amor que pode conhecer até aqui nesse mundo, lidou com as canalhices do irmão - do qual nós fomos todos vítimas - e principalmente, assumiu uma personalidade que tem suas consequências "Rainha das noites de Londrina" é um fardo muito pesado, que ela não quer que você carregue. - era sincero.
- Mas eu não me importo! - falava frustrado.
- Eu sei que não, mas ela se importa com você, com a sua imagem, com sua família, e Luan - respirava profundamente - Maria Cecília na sua primazia é a pessoa mais sensata que já conheci, e acredite ela precisa desse tempo, digamos que ela vai descansar a imagem, sair dos holofotes, ela vai se deixar esquecer - Luan o olha em choque - e isso levará tempo se é que me entende, mas que será fundamental para ela, ela merece um novo recomeço.
Luan entendia, ela não voltaria tão cedo e ele não poderia expressar nada em palavras, estava completamente destroçado.
- Um último conselho, que eu sei que seria o que ela queria te dizer nesse momento, siga em frente, viva sua vida, cresça na sua carreira, apaixone-se de novo, nada melhor que o tempo, senhor de todos nós e que tudo cura, ou ameniza...e se for o destino de vocês um dia retornarem, não importará os meses ou anos...
- Eu vou esperar por ela - falava convicto.
- Eu sei que vai - Augusto levantava lamentando que ele não havia entendido a profundidade de tudo que aconteceu.
Adormeceu ali mesmo no sofá, sonhando com uma velha casa na árvore, com dois jovens sentados lado a lado, a garota vestia um lindo vestido azul turquesa, o vento balançava seus cabelos loiros mas ela o tratava como se não o conhecesse, fitando o horizonte a sua frente num vazio profundo, deixava uma lágrima cair. Seria assim que ela se sentia então? O destino trataria de mostrar.
Quantos anos dessa história linda! Vanessa, por favor, poste mais. Sinto muito saudade <3
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